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Literata 2012: Monteiro Lobato invade Sete Lagoas

Literata 2012: Monteiro Lobato invade Sete Lagoas

 

Cerca de 2500 pessoas, entre crianças, adolescentes e adultos, visitaram os dois primeiros dias da Literata em Sete Lagoas (MG). Com entrada franca, o festival, que é realizado anualmente, é considerado um dos maiores de Minas Gerais. Promovida pela Iveco há três anos, a Literata ainda celebra o aniversário da empresa e da cidade.

Neste ano, o autor homenageado é Monteiro Lobato e, para falar sobre sua vida e obra, a organização convidou Vladimir Sacchetta, jornalista e consultor editorial especializado no escritor, para o primeiro bate-papo do evento que reuniu 400 pessoas em uma plenária montada no Casarão.

Vladimir Sacchetta participou do primeiro bate-papo da 3ª Literata

Na quarta-feira, 7 de novembro, Sacchetta revelou algumas curiosidades sobre a vida e obra do homenageado, comentando, inclusive, a atual polêmica que cerca a sua obra. Ele ainda afirmou que o grande diferencial da festa é que ela é feita para a comunidade de Sete Lagoas. “Normalmente, nas Flips, Fliportos e tal, acaba acontecendo como uma invasão bárbara: chegam os intelectuais falando do alto de seus tronos, e a comunidade fica à margem. Aqui não. Acontece o contrário. Quem manda na Literata é a comunidade”, afirma.

Na segunda palestra do dia, o escritor mineiro Zuenir Ventura participou de uma edição especial do Sempre um Papo, evento que conta com o apoio da Iveco em Sete Lagoas. Ele conversou com o jornalista Carlos Herculano Lopes sobre a sua carreira literária. “Tudo na minha vida aconteceu por acaso. Eu me tornei jornalista por acaso, escritor por acaso. Acho que fui até concebido por acaso”, brincou durante a palestra que contou com mais de 200 pessoas na plateia.

Segundo dia

Na quinta-feira, 8 de novembro, o dia começou cedo no Casarão. Os alunos das escolas públicas de Sete Lagoas visitaram a feira em excursões durante o dia. Os diferentes espaços do Casarão ganharam decoração e nomes baseados no cenário criado por Monteiro Lobato: o Sítio do Pica Pau Amarelo. O coreto da praça Tiradentes se tornou o Espaço Memórias de Emília, em que as travessuras e brincadeiras de crianças de 6 a 10 anos ganhavam força com a presença da própria Emília como animadora e monitora da Literata.

Um herbário foi montado no Museu Histórico Municipal e ganhou o nome de Espaço Saci. Lá, as crianças conheceram os segredos das ervas e plantas e ainda ganharam mudas para plantar em suas escolas. No Espaço Urupês, nome baseado em um livro adulto de Monteiro Lobato, crianças e adolescentes assistiram a curtas metragens especiais sobre a importância da leitura e da literatura para a formação de jovens.

Outro espaço visitado pelos estudantes foi o “O Bicho Inventor” em que uma exposição da vida e obra de Monteiro Lobato era exibida de forma interativa. O cachimbo característico do Saci Pererê se transformou em uma espécie de controle remoto para que os visitantes pudessem escolher qual capítulo da vida do autor homenageado queriam conhecer.

Os alunos da Escola Formare Iveco, projeto que beneficia jovens por meio da formação para o mercado de trabalho, também visitaram a Literata no segundo dia de evento. Cerca de 30 alunos, entre 15 e 17 anos, passaram pelos espaços da festa, curiosos e interessados nas criações lobatianas, como o Sítio do Pica Pau Amarelo.

No final do segundo dia, duas mesas redondas reuniram cerca de 500 pessoas no Espaço Urupês. A primeira contou com as pesquisadoras Maria Antonieta Cunha e Neusa Sorrenti e o escritor Léo Cunha. A importância da leitura dos clássicos foi o assunto do debate que, ao final, surpreendeu quando Sorrenti pediu um violão para cantar uma versão própria da música “Fico assim sem você” a partir de elementos da obra de Monteiro Lobato. “Um clássico é aquele que é inesgotável. Isto é, é possível fazer diversas versões a partir dele”, explica Maria Antonieta Cunha. Portanto, a música foi uma prova de que a obra de Lobato é clássica.

Em seguida, a escritora Nélida Piñon, imortal da Academia Brasileira de Letras, participou de mais uma edição especial do Sempre um Papo, com o curador da Literata, o jornalista e escritor Humberto Werneck. A formação como escritora, a identidade brasileira e o processo de criação foram os assuntos discutidos por Piñon e Werneck neste bate-papo. “Eu não tenho medo de escrever, pois não tenho medo de ser julgada”, revelou a imortal que aproveitou para aconselhar os jovens escritores a fazerem o seu próprio caminho. “Quem pode transformá-lo em um escritor é você mesmo. Você deve ser persistente”, falou à plateia de 200 pessoas.

O terceiro dia da programação de palestras da Literata será a respeito de uma polêmica atual: o suposto racismo presente em algumas das obras de Monteiro Lobato. Para falar sobre o assunto, os convidados são os escritores Reinaldo Morais e Eugênio Bucci. A palestra será realizada a partir das 20h no Espaço Urupês.

 

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Rede Comunicação
1 Comment
  • telma de melo campolina

    Adorei a literata este ano.Desde já faço um pedido: – façam com que a literata no ano de 2.013 tenha espaço para a participação das escolas particulares. Minha filha de 7 anos(Joyce ) estuda na escola Centro Educacional Dimensão, adorou e participou todos os dias do evento. Criamos a história da Emília, adoramos ganhar o prêmio da Iveco – a coleção do Monteiro Lobato, ela já está lendo os livros. Ela adorou o espaço da livraria, compramos vários livros com preços acessíveis. Só faltou ela participar das apresentações. Espero que no próximo ano a sua escola possa participar.

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