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Você sabe cobrar o frete?

Com a graça de Deus estamos por aqui novamente

Você sabe cobrar o frete?

Como falei na coluna passada, esta semana vamos abordar um tema muito importante que, em minha opinião, é o principal depois da segurança: quanto cobrar um frete? Quem é estradeiro sabe que estamos sujeitos a agenciadores ou transportadoras que repassam o frete aos preços de mercado ou cobre o quanto vale o teu serviço.

Uma das primeiras lições que se aprende em economia é, *não existe almoço grátis*.  Ou seja, na economia todos dependem de obter lucro e nada é gratuito, seja o chapa que presta serviço braçal, não empregando nenhum equipamento específico para isso, somente o muque, ou a Iveco que produz veículos e tem uma complexa matemática que envolve compra de materiais, logística, custo com ferramental, com capital humano, impacto ambiental e, por fim, o lucro.

Nós, caminhoneiros, temos que pensar diferente do chapa e agir como uma empresa. Mesmo que autônomo, muitas vezes por não ter experiência ou por não buscar informações, ficamos trabalhando erroneamente, não vendo os custos reais que existe por trás de uma viagem.

Bom, deixo aqui o método que, digamos, deixou as minhas contas em ordem. É o que chamo de calculo 3 pra 1. A conta é feita com base no custo por quilômetro de diesel consumido, ou seja, hoje com o preço médio do diesel S10 á R$2,90 e um caminhão truque fazendo 4 km/l,  o custo é de R$0,725 ( 2,90/4), valor que deve ser multiplicado pelo fator 3 (0,725×3), no qual chegamos a R$ 2,175, valor que deve ser cobrado por quilometro rodado e sempre ida e volta, pois a história de frete de retorno é um piada de mau gosto. Mas, voltando ao assunto: por que 3 pra 1?

Vamos arredondar os valores R$ 0,75 do diesel e o R$ 0,75 que deve ser guardado para pagar o custo de desgaste do caminhão (lubrificante, pneus, mecânica, depreciação e troca futura). Finalmente chegamos ao R$ 0,75, salário/lucro do proprietário do caminhão, que em uma viagem de 1000 quilômetros ida e volta irá gastar 1000 x 2,25, o que soma R$2250,00 que devem ser cobrados do embarcador. Nessa conta não está incluso carga, descarga, pedágios, balsa ou diárias por caminhão parado que, por lei deve ser pago pelo dono da carga ou pelo embarcador. Para concluir, no final dessa viagem você gastou R$ 750,00 de combustível, guardou outros R$750,00 e os outros R$750,00 é o teu lucro. Outros fatores que devem ser considerados principalmente com o uso a tecnologia SCR é o custo do Arla por km rodado. Lembrando que a alimentação também pode ser considerada  (eu particularmente a incluo no lucro/salario).

Sei que existem metodologias de cálculo mais apuradas, a exemplo que os grandes empresários utilizam. Também existem aplicativos e sites que oferecem cálculos prontos e programas para gerenciamento, mas como nem todos dominam ou mesmo não tem tempo pra administrar essa área, deixo aqui o link do blog do meu amigo José Augusto Dantas que trabalha com logística e nos dá um abordagem profunda sobre o assunto. Deixo também dois links que fiz sobre o calculo de frete e esse um pouco mais específico aos proprietários de caminhonetes menores como Iveco Daily.

No caso, o meu caminhão é um 9 toneladas e sua média é de 5-6 km por litro e quando faço o calculo uso a pior média, pois existem trechos que são favoráveis e outros não, ficando tudo numa média só. Esse cálculo deve ser aplicado conforme a média leve/médio/pesado. Assim o proprietário chega a um frete justo, movimentando a economia. Afinal, trabalhamos para obter lucro e ficamos mais satisfeitos quando a remuneração é justa. Com esse cálculo sabemos o quanto se gasta e o quanto se ganha.

Com toda certeza, o dono de um antigo Iveco 190H 1981 fica sonhando com um Hi Way zerado pra trabalhar, mas sem um frete bom isso é impossível. Muitos se lançaram no abismo das prestações sem fazer as contas e os prejuízos se seguiram , como o tão sonhado caminhão novo que virou um pesadelo, a instituição financeira que não recebeu o saldo devido e a montadora que em alguns anos estaria vendendo um outro caminhão na tão almejada renovação de frota e aí o ciclo econômico saudável deixa de existir .

Lembrado que não sou contra agenciadores ou transportadores que negociam cargas e de ganharem suas comissões. Creio que somos uma cadeia e interdependentes uns dos outros, vivemos num sistema capitalista e sujeitos a lei da procura e oferta. E cabe a cada um de nós fazermos as contas, trabalhar e receber o dinheiro justo.

Poucos dias atrás houve paralizações para a criação de uma tabela e leis obrigando os embarcadores a tal, creio que numa economia saudável quanto menos intervenção politica tiver melhor. Cabe a nós fazermos a contas e carregar ou não, Os valores só chegaram a ser tão baixos porque “nós” mesmos fizemos um leilão ás avessas de quem paga menos. Então antes de acelerar o caminhão, use a calculadora!

Abraço e fiquem com Deus! Até a próxima.

Cristiano A. Bueno

Cristiano Bueno Cristiano Bueno – Dono do canal vlog8rodas, no Youtube. 

 

 

 

 

 

Iveco Brasil
  • Fernando Matos

    Caminhões carga fria carregando cargas diversas isso é correto “Tintas e até Veneno” quem deve fiscalizar?

  • Rodrigo Kartcheski

    Cristiano A. Bueno creio que usar este pensamento tras mais maleficios que beneficios ao TRC. Hoje temos ferramentas que calculam fixos e variaveis na composição dos custos. Esta metodologia, deve começar a ser usada para que o profissional tenha consciencia dos seus custos. A resolução 4810 da ANTT é um exemplo disso.

    • Olá Rodrigo, tudo bem? Agradecemos a sua opinião! Uma ótima opção para os caminhoneiros poderem escolher qual método se adapta melhor a sua rotina de trabalho. Queremos saber! Qual é o cálculo que você faz? Abraços.

  • Rodrigo Kartcheski

    O desejo de todo autônomo é ir além do sonho de dirigir uma caminhão. Ele quer uma
    renda que garanta uma boa qualidade de vida e uma garantia de um
    sucesso financeiro no futuro.

    Então o caminhoeiro vai até uma concessionaria da Iveco, escolhe um Iveco Stralis 2015 e
    financia. Primeiro passo para a realização do sonho. Agora é só
    arrumar frete e trabalhar.

    Mas como saber
    quanto ele deve cobrar no frete?

    O caminhão Stralis
    Iveco 2015 a vista custa R$262,812,00 e ele comprou a vista. Mas
    sabemos que todo caminhão desgasta com o tempo, e dentro de alguns
    anos esse caminhoneiro precisará trocar o caminhão vamos imaginar
    que ele pretende ficar 7 anos com o caminhão. É justo que ele
    divida o valor da compra por 7 anos, ou melhor. 84 meses
    (R$272,812,00/84). Ele terá de guardar R$3.129,00 para comprar um
    caminhão novo em sete anos.

    Vamos imaginar que
    financiou o veiculo, qual o valor da prestação? Vamos imaginar que
    ele tenha que pagar R$4,160,00 por mês de financiamento (se comprou
    a vista deve calcular esta parcela da mesma forma). Se ele fosse
    trabalhar de empregado iria ganhar um salario de R$2.100,00. Ele deve
    fazer isso com todos os gastos fixos do caminhão conforme exemplo
    abaixo:

    – Remuneração
    mensal do capital empatado (RC) = R$3.129,00

    – Salário do
    motorista (SM) = R$2.100,00

    – Reposição do
    veículo ou financiamento (Cavalo) (RV) = R$4,160,00

    – Reposição do
    equipamento (da carreta) (RE) = R$1.800,00

    – Licenciamento (LC)
    = R$120,00 por ano divido por 12 meses = R$10,00 por mes

    – DPVAT = R$240,00
    por ano divido por 12 meses = R$24,00 por mês.

    – IPVA = 1,5% do
    veiculo gera o custo de R$3942,00 por ano divido por 12 meses =
    R$328,00 por mês.

    – Seguro do veículo
    (Cavalo)) = vamos imaginar R$3.000,00 por mês.

    – Seguro do
    equipamento (Carreta) (SE) vamos imaginar R$1.000,00 por mês.

    No nosso simulado,
    sem rodar o caminhoneiro já tem um custo de R$15.551, por mês com o
    caminhão. Isto é, faça chuva ou faça sol, trabalhe ou não o
    caminhoneiro terá de pagar ou reservar esta quantia por mês para
    cobrir os custos fixos do caminhão. Podemos dividir R$15.551,00 por
    24 dias e teremos um custo fixo diario de R$647,00

    VAMOS VER OS CUSTOS VARIÁVEIS?

    O caminhão gera manutenção, este custo deve ser calculado mensalmente pelo
    autonomo, mas vamos imaginar que o Iveco tenha um custo de R$2.630,00
    por mês de manutenção divido pela quantidade de KM rodado no mês
    = R42.630,00 divido por 12.000 km rodado no mês temos R$0,21
    centavos o KM. Imaginamos que o Iveco consome 2,4l por KM a R$3.00
    então teremos um custo de R$1,5 de diesel por KM. Divindo o valor de
    troca de óleo pelo km rodado até a próxima troca imaginamos o
    custo de R$0,10 o KM rodado. Vamos imaginas que o caminhoneiro lave o
    caminhão a cada 6.000km então o custo por KM de lavagem (R$200,00)
    é R$0,04.

    O pneu custa
    R$1.800,00, roda 100.000 km, faz uma recauchutagem que custa R$500,00
    e roda mais 80.000. Então temos 180.000 km ao custo de R$2.300,00
    por pneu vezes 23 pneus = R$52.900,00, então podemos considerar o
    custo de R$0,29 em pneu por KM rodado.

    A partir do momento
    que ele roda deve calcular também os custos variáveis.

    O custo variável é
    composto das seguintes parcelas:

    – Peças, acessórios
    e material de manutenção (PM) = 0,21

    – Despesas com
    combustível (DC) = R$1,5

    – Lubrificantes (LB)
    = R$0,10

    – Lavagem e graxas
    (LG) = R$0,04

    – Pneus e
    recauchutagens (PR) = R$0,29

    No nosso simulado o
    custo por KM rodado do motorista autônomo é de R$2,14

    Desta forma o
    autônomo deve cobrar R$647,00 por dia mais R$2,14 o KM rodado, mais pedágio mais
    seu lucro para sua atividade ser compensatória

    • Ótima explicação Rodrigo! Queremos conversar com você! Por gentileza, você poderia enviar o seu contato? Abraços.

  • Roberto Guimarães

    Existe uma calculadora na googleplay (android) feito por um “amigo do caminhoneiro” que faz exatamente a conta do frete ida e volta com base no média de consumo, preço do diesel e distância. Vale a pena testar e é 100% gratuita! Nem todas as pessoas tem facilidade com a calculadora é por isso que temos que cada vez mais valorizar quem valoriza a categoria.

    • Olá Roberto!
      Obrigado por sua opinião!
      Continue ligado no blog da Iveco.
      Abraços.